REVOLUÇÃO MUNDIAL
7.3.04
  No Caderno "Mais!", Seção "Ciência" (p. 24-26) da Folha de São Paulo de 22 de julho de 2001 foi publicada uma entrevista do professor de Bioética da Universidade de Princeton (EUA), em que o polêmico professor expõe suas idéias acerca de "vidas humanas" que considera descartáveis (texto abaixo)

O tema é instigante e, no Brasil - assim como nos países ibéricos - já é passada a hora de se discutir temas de bioética a partir de perspectivas independentes da doutrina moral da Igreja Católica, que infelizmente monopoliza as discussões sobre o assunto nesses países, na maior parte das vezes a partir de ótica obscurantista que é incompatível com os avanços que podem ser trazidos com pesquisas na área biológica, sobretudo com as informações advindas do projeto Genoma Humano.

Certamente no futuro algum papa pedirá perdão à humanidade pelas posições tomadas pela Igreja na atualidade, desde as restrições a programas governamentais de planejamento familiar que envolvem métodos contraceptivos eficazes porém não naturais, até a odiosa posição de se opor a campanhas de encorajamento de utilização de camisinhas em relacionamentos sexuais. É difícil compreender que uma instituição que se propõe a defender a vida tenha adotado essas posições em sua doutrina moral. Desde o Concílio Vaticano II - quando o Papa Paulo VI contrariou a aprovação dos médicos leigos quanto à utilização da pílula anticoncepcional - a vida de milhões de católicos do mundo todo que efetivamente procuram seguir os preceitos da religião se tornou um inferno, sobretudo a das mulheres, que ou deixam voluntariamente de ter acesso aos avanços científicos, ou optam por viver em estado de pecado quando optam pelo uso da pílula (e da camisinha), pois formalmente os padres não poderiam dar a absolvição nesses casos, a não ser que haja o arrependimento e a pessoa deixe de usar esses métodos.

A situação se torna pior quando entidades como a Pastoral da Criança - cuja líder acaba de ser indicada para o Prêmio Nobel - que tem grande penetração nas localidades carentes em que o Estado brasileiro está ausente, omite das pessoas as técnicas verdadeiramente eficazes de contracepção, além da oposição ao uso da camisinha, o que torna a entidade indiretamente conivente com a propagação de doenças sexualmente transmissíveis. Com efeito, há restrições a esse respeito quando do treinamento dos agentes comunitários que terão acesso direto às pessoas assistidas, conforme atestam as pesquisas contidas na Dissertação de Mestrado em Ciências Sociais pela UFPR defendida pelo Prof. Rodrigo Rossi Horochovski em 1999, cujo tema foi a Pastoral da Criança. A situação se agrava quando se sabe que a Pastoral da Criança recebe verbas governamentais, apesar do desserviço que presta neste particular.

Logo abaixo da entrevista de Peter Singer, vão algumas sugestões de livros e periódicos cuja leitura certamente auxiliará no aprofundamento das questões entre Bioética e Direito.

José Renato Gaziero Cella

texto extraído do site:
"Cella"


publicado por Pâmela 
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"Não seríamos verdadeiros comunistas se não soubéssemos modificar inteiramente nossa tática em conformidade com o momento. Todos os recuos, todos os zigue-zagues da nossa tática têm um único fim: a revolução mundial." --------- Georgi Dimitrov (1882-1949)



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